Por que formação igual para todos não funciona?
Pense na última turma de formação de líderes que você organizou ou da qual participou. Na mesma sala, uma coordenadora promovida no mês passado, que ainda está aprendendo a conduzir a primeira reunião de equipe, e um gerente com quinze anos de casa, que já passou por três reestruturações. Mesmas dezesseis horas, mesmos slides, mesmas dinâmicas. Ao final, a pesquisa de satisfação dá 4,6 de 5. Mas você sabe, e eles também sabem, que um saiu entediado e a outra saiu sem saber por onde começar.
A pesquisa recente ajuda a entender o que funciona no lugar disso. Em 2025, o Banco Mundial publicou um experimento randomizado feito na Nigéria: durante seis semanas, estudantes do ensino médio praticaram inglês com um tutor de IA que respondia às dúvidas de cada um, sob supervisão dos professores e com orientações pensadas para estimular o raciocínio. Os participantes tiveram um ganho de 0,31 desvio-padrão na avaliação final, um resultado expressivo para um programa tão curto. O diferencial não era um conteúdo melhor. Era o ajuste ao ponto em que cada aluno estava.
O mesmo estudo traz um alerta importante: os maiores ganhos ficaram com quem já começou com desempenho mais alto. Ou seja, até uma ferramenta personalizada pode ampliar diferenças se ninguém olhar com cuidado para quem está mais atrás. Personalizar não é entregar a mesma tecnologia para todos e esperar o melhor. É partir de um diagnóstico e acompanhar o caminho de cada pessoa.
Em desenvolvimento, justiça é dar a cada um aquilo de que precisa para avançar.
No Brasil, o uso de tecnologia em T&D ainda vai pouco nessa direção. Segundo a Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, 69% das empresas já usam IA para criar conteúdos, mas só 21% a usam para personalizar a aprendizagem e recomendar conteúdos. Produzir mais do mesmo ficou fácil. Ajustar a formação a cada pessoa ainda é exceção. E isso não significa abolir os momentos coletivos: trocar experiências com colegas continua sendo valioso. O que muda é que o coletivo passa a ser um dos ingredientes, e não a receita inteira.
A formação igual para todos parece justa porque oferece a mesma coisa a cada pessoa. Mas, em desenvolvimento, justiça é dar a cada um aquilo de que precisa para avançar. Durante muito tempo, isso foi caro demais para fazer em escala, e por isso a turma única virou padrão. Hoje, com diagnóstico bem feito e tecnologia a serviço de quem cuida das pessoas, essa desculpa está cada vez mais difícil de sustentar.
Na vertho.ai, cada pessoa percorre uma trilha desenhada a partir do seu próprio diagnóstico, com conteúdos e cenários ajustados ao seu ponto de partida e ao seu cargo. E os formatos se combinam: conteúdos disponíveis a qualquer hora, encontros ao vivo para troca entre colegas e vivências presenciais para praticar. É o coletivo e o individual trabalhando juntos, para que a coordenadora novata e o gerente experiente saiam da mesma jornada tendo avançado, cada um a partir de onde estava.